Antroposofia: você também vai querer conhecer!

Outro dia visitei um velho amigo, que trabalha a longos anos no setor imobiliário. Em certo ponto, iniciamos uma conversa sobre urbanização desenfreada dos tradicionais bairros de são Paulo e sobre a constante alta de demanda e preços no setor de imóveis. Compartilhamos com melancolia, a saudades do bairrismo paulistano. Saudades da época que não dividíamos cada metro de quarteirão com enormes edifícios, cada um com três ou quatro vagas de carro, que por sua vez trouxerem comércio a região, transformando em poucos anos nossa pacata vila de imigrantes italianos, em uma “mini-mega- metrópole” congestionada.

Comparamos tópicos, nossos bairros, analisamos comicamente a ideia de mudar para a “roça”. Conviver com plantas e animais…  Imaginamos as pequenas alegrias envolvidas na situação. Foi quando ele me contou que a filha dele mudou-se para o interior com esse pensamento, acrescentando informações sobre uma comunidade de origem sueca no interior de São Paulo, com escola e empresas próprias. Tudo isso funciona dentro de um condomínio fechado, o que me despertou a curiosidade de saber mais.

Ele me disse que sua filha, após não encontrar na capital, nada dentro de seu orçamento destinado para um aluguel que desejava, encontrou por acaso um simpático senhor de origem sueca, do interior de São Paulo que lhe apresentou a comunidade, cuja qual ela foi conhecer e hoje mora. E foi então que ele começou contar sobre a tal “organização”.  O termo usado por ele foi “Comunidade Antroposofista”. Localizda  cidade de Botucatu, a Comunidade vive rigorosamente sob as filosofias de um estilo de vida que implica em ensinamentos para todas as áreas da vida, denominado Antroposofia.

 

Foto: reprodução

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Fundada pelo filósofo e pedagogo Rudolf Steiner, a cerca de um século atrás, ela determina que para todas as áreas da vida é possível que você trabalhe para ser um ser humano melhor, porém mais do que isso, ela visa a convivência em harmonia do homem com a natureza e com seus semelhantes, seja em seu trabalho, em sua residência com seus vizinhos e em qualquer outro pequeno detalhe imaginável do dia a dia.

A ideia inicial, foi fundada baseada no conflito ciência e religião, aonde Steiner acreditou ter encontrado um elo perfeito entre os dois temas, até então muito mais rivais na época do que nos dias atuais. Propondo idéias mais diretas e eficazes para uma filosofia de vida que até tal época era rigorosamente proposta pela igreja, baseou-se em que de melhor tinha em sua opinião, sobre conceitos do hinduísmo e da reencarnação.

Segundo Steiner, antroposofia é como “um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo.”. O objetivo do antropósofo é tornar-se “mais humano”, ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e ações; ou seja, tornar-se um ser “espiritualmente livre”.

Hoje existem hospitais, empresas de arquitetura, e diversas outras áreas, que se denominam antroposofistas, ou seja, fazem seus respectivos serviços propostos, visando em primeiro lugar a natureza, e a liberdade e harmonia espiritual, seja em construções, agricultura ou tratamentos médicos. O conceito do antroposofismo veio ao longo do tempo, perdendo um pouco do lado religioso inicial, tendendo a evoluir para o lado mais humano proposto na filosofia. Ainda hoje, comunidades de antroposofistas ao redor do mundo possuem índices de qualidade de vida elevadíssimos e taxa de criminalidade zero.

 

Foto: reprodução

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A criação de Steiner, mais aceita, conhecida e utilizada até hoje no mundo, chama-se “Pedagogia Waldorf”. Com escolas no mundo inteiro, inclusive em São Paulo, que seguem fielmente a metodologia de ensino elaborada por ele, as escolas sob esse modo de ensino, focam na individualização do ensino da criança, acreditando que cada tipo de criança precisa aprender segundo sua capacidade de acompanhar o que é ensinado, segundo sua idade e sua personalidade, estimulando ainda a curiosidade sobre o mundo, e sobre temas espirituais.     As escolas incentivam a criança a querer aprender, despertando nela essa vontade, plantando nos jovens o porquê da necessidade de aprender, induzindo os alunos à reflexões. A imaginação, ou seja, o desenvolvimento físico, artístico e intelectual é estimulado, sempre respeitando a capacidade de cada criança, e seu respectivo tempo necessário.

Tanto a Antroposofia, quanto a Pedagogia Waldorf, tem críticos ao redor do mundo, que ligam de alguma forma a antroposofia ao ocultismo, e divergem sobre a capacidade de aprendizado da metodologia proposta. Os argumentos são principalmente o fato da criança não precisar usar um uniforme escolar ou de frequentar aulas em menor carga horária. Acontece que a pedagogia Waldorf defende que boa parte do aprendizado pode ser feito também em casa, onde o aluno se sinta mais confortável e tenha a influência de pais engajados na cultura antroposófica.

No vilarejo onde mora a filha do meu amigo, além de escola, é possível encontrar também mercearias e comércio básico. Os serviços que não são disponibilizados dentro das comunidades são usados fora dela, comumente, assim como as demais pessoas. Como a comunidade fica a 10 km do centro, quando necessário sair, a maioria utiliza transporte público, que sai 4 vezes ao dia, já que a maioria não tem carro próprio por opção. Difícil apenas encontrar casas para morar dentro da vila. Com sorte, é possível encontrar alguma residência vaga para locação. O valor de uma casa de 500m² é de R$1.500,00. Porém, é preciso estar em total sintonia com a comunidade para permanecer.

Conversa vem e vai. Já estava tarde e eu precisava ir embora. No caminho pra casa, parei em algum farol na Rua Vergueiro, por volta de sete da noite. Escuto uma buzina alta e forte do meu lado, seguido de uma frenagem violenta, e de alguns palavrões desferidos com raiva, de um rapaz a uma senhora que parecia assustada no volante de outro carro. Xingamentos cujos quais em parte foram abafados pela sirene do carro de polícia que passava “costurando” o trânsito. Me bateu na hora uma sincera saudade do bairrismo. Me peguei imaginando como era na época daquela senhora que foi ofendida no trânsito. Se os primeiros imigrantes italianos, alemães, japoneses, tiveram esse tipo de problema ou discussão. Não, eles não tinham. Talvez outros por motivos mais sérios, obviamente existiam conflitos, mas eu duvido seriamente que era tão natural, por exemplo, naquela época, uma ofensa a um mais velho. Cheguei em casa, liguei para o meu amigo. Estou aguardando que ele me passe o telefone do tal sueco.

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2 pensamentos sobre “Antroposofia: você também vai querer conhecer!

  1. Olá, vc poderia passar o contato do tal sueco? rs
    Ou o nome dessa comunidade em botucatu.
    Sabia que a antroposofia é forte lá. Mas não imaginei que houvesse uma comunidade toda antroposófica, fiquei muito animada!!

    Meu marido é psicólogo antroposófico e estou buscando um local mais tranquilo para meus pais morarem.

    bjokas

  2. Também gostaria de obter mais informações sobre essa comunidade, venho buscando um lugar com essa filosofia para viver. Ab., Patricia

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