A mídia e a nova lei das empregadas domésticas.

Não sei quando foi a data específica que escrevi sobre os direitos dos empregados domésticos, mas sei que foi antes da publicação da PEC. Depois de todo o processo de adaptação das mudanças, muito ainda de discute a respeito. Não vou entrar, no momento, nos pormenores da lei pois deixei isso um tanto exposto na matéria anterior (http://pipocapimentaepoesia.com.br/2012/12/03/entendo-um-pouco-mais-sobre-os-possiveis-novos-direitos-dos-empregados-domesticos/).

O que estou preparando é um texto que contenha aquilo que venho notando ser o grande vilão das dúvidas dos empregadores, que são as horas extras. Vou ensina-los como calcular e quem sabe, podemos abrir um portal de discussões, sugestões e críticas a essa lei, que pra mim, de racional não tem nada. Não que eu ache que os empregados domésticos não devam ter direitos, mas acredito que uma residência não é empresa e certos controles são difíceis de se ter em uma casa, mas para essa semana, ainda quero trazer um outro ponto bem importante desta nova oficial relação: como a mídia tem mostrado essa relação.

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Na semana passada, estava almoçando e como de costume, assistindo ao Jornal Hoje da rede Globo. Eis que me deparo com Sandra Annenberg, âncora do jornal, noticiando a reportagem sobre as mudanças das quais as residências brasileiras estavam adotando  para se adaptar as mudanças da nova lei. (http://m.g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/05/lei-dos-empregados-domesticos-leva-mudancas-para-dentro-das-casas.html).

Eu prontamente parei o que estava fazendo e prestei atenção, e como podem ter percebido vendo a matéria, eles apresentaram o que chamaram de cozinha do futuro. Tratavam-se de empregadas falando a respeito das mudanças e da utilização de aparelhos eletrônicos para ajudar nas tarefas do lar e as comparando com empregadas de outras áreas. Na matéria, todas as pessoas parecem saber utilizar muito bem todo o material, sejam patroas ou empregadas, mas eu  não entendi exatamente a quem a reportagem se referia. Porque além de aqui, a maioria das pessoas com quem eu converso dizerem que encontram problemas na administração destes aparelhos (as empregadas nem sempre sabem como fazê-lo), ainda por cima não temos esse hábito de fornecer utensílios para os empregados. E quando temos, nem sempre dá certo. Permita explicar:

Na minha casa por exemplo, sou viciada em utensílios. Difícil alguém chegar aqui e não achar algo para facilitar a vida seja na limpeza ou na cozinha! Mas eu lhe pergunto: alguém soube usar ou manejar!? NÃO!!! Pelo contrário: se queixaram que não sabem usar, que é complicado, e isso quando não quebram. Além disso, após essa regulamentação sobre a relação de trabalho das empregadas e patrões, a mídia vem forçando a barra com o que acham que devemos fornecer às empregadas. Eles estão pressionando para que os empregados tenham absolutamente todas as facilidades, e isso não é nem bom para as famílias e nem para os próprios funcionários, que agora, são motivo de medo na hora da contratação.

Esse exemplo dos utensílios de casa é só um deles! Não adianta a mídia mostrar como é nos Estados Unidos, e como as empregadas têm determinadas facilidades fora do país. O que vivemos é no BRASIL! E por aqui, não é qualquer família que tem condição de comprar estes aparelhos, de pagar a conta de luz que eles geram ou de arcar com as manutenções dos mesmos. Uma lava-louças para a empregada usar, por exemplo, diariamente, consome uma energia enorme.   Nossa realidade ainda é sim distante da realidade norte americana por exemplo. E é claro que eu gostaria que fosse diferente, mas infelizmente, está bem complicado.

Um dos principais agravantes dessa comparação é a própria falta de capacitação dos empregados. Fora do Brasil, todo mundo, “rico” ou “pobre”, “chefe” ou “funcionário”, tem algum desses em casa. Consegue compra-los, tem acesso à tecnologia, à informação. Mas aqui não funciona bem assim. Os empregados, até mesmo por falta de estrutura, não têm essa instrução. Eu, como profissional, sou cobrada e exigida pela minha formação e capacitação, assim como todos os demais somos. Então por que eu também não posso exigi-la dos empregados? Exatamente por essa falta preparo que muitas vezes é embasada na própria falta de conhecimento ou de cultura. Porque é exatamente isso que causa comportamentos tão complicados de lidar por aqui: desperdício dos materiais que compramos, quebra dos nossos utensílios, uso excessivo de nossos materiais de limpeza…

Mas então, que raio de comparação de realidades é essa que o jornal mostra? Não dá pra querer ter funcionários “estrangeiros” com a realidade nacional.  Eu sinceramente não consigo ver essa proximidade. E vocês o que acham? Nas próximas semanas, abordaremos mais desse assunto. Então deixe sua opinião e acompanhe.

Anúncios

4 pensamentos sobre “A mídia e a nova lei das empregadas domésticas.

  1. A questão è muito profunda. Achei interessante o seu artigo. Moro na Europa há 10 anos e vejo que atividades como pedreiro e empregada doméstica são encaradas em um modo muiiito diferente do Brasil. A empregada è uma funcionária como outra qualquer. Ter uma não è motivo de orgulho e ninguém se sente um coitado porque não tem uma e tem que se virar sozinho. Como você disse, o acesso aos eletrodomésticos “normais” è praticamente geral. Os eletrodomésticos melhores são muito caros e eficazes. Normalmente as pessoas compram porque querem semplificar a vida. Ninguém gasta 2.000 euros para comprar uma super maquina de lavar para ser usada pela empregada!
    Não conheço a Lei, mas só me pergunto: è preciso pagar alguém para colocar meia duzia de pratos dentro da lava louças???
    No caso do Brasil, as empregadas vão precisar, sei lá, fazer cursos, aprender a utilizar estes aparelhos. Ser empregada vai começar a deixar de ser trabalho pra quem não è capaz de fazer outra coisa na vida, trabalho de quem não conseguiu nada melhor para se transformar em um trabalho como outro qualquer.
    A questão è que eu não sei até que ponto uma “patroa” quer ter em casa uma pessoa que começa a “entender” as coisas…Conheço gente que reclama da coitada que não sabe ligar um liquidificador, mas no fundo prefere que seja uma coitadinha mesmo e que não mude.
    A empregada na Europa não precisa “saber qual è o seu lugar”, até porque não existe uma divisão social que estabeleça o que è destinado ao empregador e o que è ao empregado. Uma “patroa” européia não fica desnorteada ao encontrar a empregada no mesmo salão de cabelereiro, nem na fila do supermercado e nem mesmo na fila do check in (situação que poderia causar infarte ou suspeita de que a coitada andou roubando alguém).
    O Brasil está dando demonstrações de que quer abrir as portas da entrada para o chamado primeiro mundo (que è cheio de probleminhas “brasileiros” também, mas ninguém conta) e abandonar a “colonial mentality” vai ser a parte mais difícil. Empregada doméstica não è a profissão do futuro, aliás è uma profissão que vai acabar desaparencendo ou melhor vai perder o seu aspecto “ex senzala”, não só pelos altos custos, mas porque as novas gerações serão melhor preparadas e serão empregadas na industria, comércio e serviços. Uma mão de obra requisitada vai ter um salário mais alto.
    Trabalho em um escritório e cuido da minha casa como todas por aqui, colocamos luvinhas e tudo resolvido.
    Me desculpe pela acentuação, o meu teclado não è configurado para o português e eu tive que adaptar um pouco.

    • A Marya fez um excelente comentário!
      É hora do “patrão” brasileiro aprender a esquentar a barriga no fogão e esfriar na cozinha!

Deixe seu recado após o sinal. Beep!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s