O boato da Bolsa Família.

Boa quarta-feira, leitores! Quero agradecer a cada um de vocês que passam aqui para ler e se atualizar de forma dinâmica e com opinião. Agradecemos carinhosamente cada manifestação de carinho, conflito, e opinião. Mas vamos ao tema que me reserva para esta semana, pois acredito que vocês, assim como eu, devem ter lido ou assistido às reportagens referentes ao Bolsa Família e fatídico boato que girou em torno da mesma.

Para quem não sabe, saiu um boato de que o programa assistencial do governo, o Bolsa Família, ia acabar. De acordo com alguns jornais, a mensagem teria chego até mesmo por celular, avisando do término. Alguns já receberam a notícia que haveria bonificação extra de dia das mães. E aí armou-se a confusão da semana.

Antes mesmo de saber do que se tratava, quando saí para almoçar no domingo com minha família, passei por algumas agências da Caixa pelo caminho e me perguntei o que estava acontecendo para ter aquele aglomerado de pessoas, fazendo longas filas. Assim que cheguei ao restaurante, peguei meu celular e fui logo para a internet procurar alguma informação a respeito. Foi quando uma nota ainda pequena noticiava o boato.

Foto: Folha

Foto: Folha

Eu confesso que me subiu um ódio, por vários aspectos, imediatamente. Um pelo boato maldoso, outra pela a própria essência do Bolsa Família, e outro monte de raiva do porquê aquelas pessoas todas se levaram por um boato sem se quer pesquisar ou se informar da veracidade das informações. Isso só acentuou minhas ideias sobre todo o aspecto deste programa, que espero a partir de agora poder dividir com vocês.

A primeira questão que me incomoda do Bolsa Família é o aspecto de que muita gente se aproveita de forma fraudulenta deste benefício. Todo mundo sabe e ninguém faz nada. Eu mesma conheço gente que já está trabalhando e ainda assim pede para não assinar a carteira, para continuar recebendo a ajuda, tanto por cara de pau quanto pela necessidade da continuidade da ajuda, graças ao nosso valor de salário mínimo. Muitos talvez achem o valor irrisório, mas são valores que ainda fazem diferença para a população, e sem a combinação destes programas assistenciais com a preocupação com o nosso salário, fica difícil incentivar as pessoas a fazerem o certo.

A segunda questão é esse governo, que diz ter uma politica focada na eliminação da pobreza, focada na educação e saúde… E é o primeiro a não fornecer o suficiente do mais importante: educação, informação!  É só tomar como base as pessoas que acreditaram no boato sem se quer pesquisar. Sem analisar, e até mesmo, sem a capacidade de visualizar que não se terminaria um programa desses assim, da noite para o dia.  Isso tudo só serviu para reforçar em mim que esse é o espelho da grande maioria dos brasileiros. Não se informam, não procuram ler, ou conhecer seus direitos e acreditam na primeira coisa que lhes apresentam. O que, na minha opinião, nem sempre se trata da maldade em si, mas sim da própria falta de base educacional. Aquilo que nos permite investigar, absorver ao invés de viver sem se questionar ou se posicionar.

A terceira questão é a que confesso de ter martelado em minha mente. Será que se fosse vaga de emprego, haveria tanta gente na fila, brigando por espaço? Pergunto isso porque, que fique claro que mesmo considerando as pessoas que realmente fazem bom proveito desse apoio, muita gente ainda opta sim por ter mais filhos e por usar do benefício como a própria forma de sustento. Apesar de não ser possível viver apenas com o valor da Bolsa, de modo minimamente digno, para aquela pessoa que já trabalhou em condições quase escravas, que já foi negada uma série de oportunidades, e que já vive contando moedas, talvez o valor já valha à pena. E isso não é só porque se trata de uma raça de vagabundos como muitos dizem por aí, mas sim porque falta a visão que mostra que existe mais. Falta a ambição, a vontade. Falta enxergar como a vida pode melhorar e evoluir. E aí o auxílio, que deveria ser só uma ajuda, como o próprio nome já diz, se torna a própria renda e a própria “comodidade”.

Sei que para alguns, esse posicionamento vai parecer um pouco extremo e talvez até burguês… Os mais comunistas devem até acreditar que o governo deve fazer distribuição de renda aos mais necessitados, o que de verdade acho válido, mas o que eu não concordo e quero expor é a instabilidade que ela provocou. Essa acomodação por parte de alguns que faz prejudicar a imagem de muitas famílias que encaram a bolsa como um suporte e complemento a renda familiar. E principalmente, acima de tudo, o fato de que essa Bolsa existe de forma isolada, sem nenhum complemento educacional. Sem nenhum programa à longo prazo que torne esta Bolsa Família o que ela realmente deveria ser: paliativa.

Não podemos fechar os olhos para os desvios que acontecem por parte dos usuários, e também não podemos mais acreditar que a educação não tem capacidade de mudar o país. É preciso entender que algumas medidas devem ser apenas momentâneas, para que não esqueçamos da parcela da população que não conseguiu ter oportunidades, mas acima disso, criar as oportunidades necessárias a quem está chegando agora.

Não sou contra a Bolsa Família, nem torço pelo seu fim, mas acredito que sua distribuição deveria ocorrer de forma diferenciada, e com outras exigências, que de uma forma ou de outra estimulassem a busca de empregos e melhorias, que deveriam ser sim oferecidas pelo governo, e que esta renda fosse encarada com seu aspecto real de auxílio. Porque sinceramente, é muito triste me deparar com a cena de centenas de pessoas brigando, tomando chuva e sol, disputando por um valor que só não é mais baixo que a corrupção do nosso país.

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2 pensamentos sobre “O boato da Bolsa Família.

  1. Nanda, sou assistente social e faço o acompanhamento dessa população. Sugiro que vc procure um CRAS – Centro de Referência da Assistência Social de qualquer munícipio do Brasil, para melhor conhecer e entender as ocorrências a que as famílias do Bolsa Família estão sujeitas. Como sempre falo: gente malandra tem em TODOS os segmentos, inclusive no teu e no meu. Não podemos julgar uma maioria em detrimento de uma minoria. E mais, todos aqueles que vivem criticando o Bolsa Família , sugiro que não fique só no blá blá blá. Deveriam sim, partir para a ação e colocar em prática os seus parciais pareceres!

    • Eliane, boa noite! Concordo plenamente com o que abordou, quando estávamos na edição discutimos justamente este teu ponto de vista no que tange a generalização, de fato acredito que nem todos que são beneficiários da bolsa são corruptos e tão pouco quero extinguir a mesma, discordo deste ponto de vista e coloquei inclusive no texto. Mas de fato a falta de maiores dados pode ter dado esta sensação. Mas quero passar que minha intenção no texto foi minha revolta sim por ter que ver milhares de pessoas se submetendo a filas e exposições por meio de um boato. Obrigada pelo comentário, e é um prazer ter você aqui para poder trocar idéias. Beijos.

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