Quando a internet sai do ar.

Tem gente que tem medo de escuro. Outros têm medo de altura, e alguns até têm medo de multidões. Mas se existe um medo que é cada vez mais comum nos dia de hoje, é o medo de ficar sem internet. Pois é. Aqui eu vou contar para vocês como foi a minha experiência nesta última semana em que fui forçado a passar cerca de seis dias sem acesso ao mundo virtual e quais foram as conclusões que tirei dessa vivência.

Para muitos, talvez, essa situação não pareça assim tão chata, mas o meu caso é um pouquinho diferente. Comecei a usar computadores muito antes da própria existência da internet, na época em que o sistema operacional usado pela maioria das pessoas ainda era o MS-DOS. Nome estranho, certo? Talvez alguns de vocês conheçam ele pelo nome ‘’prompt de comando‘’, a famosa tela preta do Windows. Com isso eu acho que já deu para ter uma ideia do quanto os computadores fazem parte do meu dia-a-dia, certo?

Para ser bem honesto eu não fiquei completamente desconectado. Ainda contava com o meu celular para casos de necessidade extrema. Mas ele está longe de ser um Iphone ou um Galaxy da vida, e tudo o que consegue fazer é acessar alguns sites de forma bem rudimentar ou usar um aplicativo próprio para olhar as postagens do pessoal no Facebook. Só que para mim, o Facebook foi a menor de minhas preocupações. Quando percebi que ficaria um bom tempo sem internet eu até pensei que sentiria falta de estar em contato com os meus amigos, de ficar jogando conversa fora com quem quer que estivesse online na hora. Que ilusão!

 

Foto: reprodução

Foto: reprodução

 

Descobri que usar a internet para conversar é apenas uma parte bem pequena do uso que faço dela, bem longe de ser o mais importante. Notei que dependo dela para tantas coisas que a minha rotina diária é praticamente destruída se não tiver alguma forma de contato com o mundo online. Exemplos? Uma coisa da qual eu senti muita falta foram os sites de notícias. Eu não assisto televisão há cerca de quatro anos (talvez mais), e praticamente todo o contato que eu tenho com o que acontece no mundo ao meu redor é por meio da internet. Fiquei me sentindo como se um apocalipse zumbi pudesse começar a qualquer momento e eu seria a última pessoa na face da Terra a ser informada disso.

Outra coisa que eu percebi é que praticamente todas as formas de diversão que eu tenho quando estou em casa dependem da internet de alguma forma. Se quero me distrair eu acesso o Youtube para assistir algum vídeo bobo, entro em algum dos fóruns que frequento ou abro o meu feed dos blogs que sigo para ver se publicaram algum texto novo. Quando quero desenhar, costumo criar os meus esboços em um programa que funciona na nuvem chamado Pixlr. Além disso, quase todos os livros que eu tenho para ler estão em formato PDF, salvos no meu Google Drive!

Achou complicado? Agora vem o pior: até para estudar eu dependo da internet. Todos os pacotes de material de estudo que eu comprei foram criados para serem acessados online. Se quero assistir alguma vídeo-aula, preciso estar conectado ao site. Para tirar dúvidas com o professor, a mesma coisa. Tenho também material em PDF, mas tive a ideia genial de deixar tudo guardado no Google Drive junto com os meus livros. Não tenho quase nenhum material impresso aqui comigo em casa. Por causa disso, o meu computador se tornou um artefato praticamente inútil nesses últimos dias. É bem provável que a única coisa realmente produtiva que fiz nele foi começar a escreve esse texto, motivado pela falta de outras atividades interessantes que pudesse estar fazendo no momento. E olha que eu quase esqueço de salvar o documento no final! Imaginem o desastre que seria, já estava acostumado com o fato de que o Google salva automaticamente tudo o que escrevo lá!

Dito isso, aposto que você está pensando que a minha conclusão é que muitas vezes nós acabamos nos tornando dependentes demais da internet, que isso algo é ruim, que precisamos de uma vida mais livre, mas… Não é bem isso. Sim, concordo que muita gente depende demais da internet para suas atividades diárias, e eu estou nesse grupo aí. Só que a mesma coisa poderia ser dita a respeito da eletricidade, por exemplo. Seu tataravô que vivia no interior talvez tenha passado grande parte da vida dele sem o acesso a luz elétrica e, vejam só, sobreviveu a isso. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado a praticamente toda nova tecnologia incorporada pela sociedade: transporte motorizado, eletricidade, refrigeração, telefone e tantas outras coisas.

Para uma criança de hoje viver sem internet talvez seja algo tão impensável quanto seria para muita gente viver sem qualquer uma dessas coisas citadas. Ela sempre esteve ali, é algo tão intrínseco a nossa experiência diária que só percebemos o quanto dependemos dela quando não está mais presente. O que não quer dizer que não existem excessos, mas mais que uma crítica, esse texto é uma constatação: é notório que certos aspectos de nossa vida passaram a depender cada vez mais da rede mundial de computadores.

É sempre possível limitar e restringir esse acesso ao mínimo necessário. Só que a cada ano, esse “mínimo” vai se tornando cada vez maior. Quando lembro de como foi a minha adolescência, sem redes sociais, sem celulares, sem tablets, sem Youtube, acabo me perguntando sobre como será a adolescência de meus filhos, ou quem sabe até a dos meus netos. Será mesmo que o destino inescapável de toda geração é se sentir perdida com as mudanças de paradigmas que determinam os hábitos da próxima?

O que eu sei é que do outro lado da esquina há um admirável mundo novo esperando para ser descoberto e redescoberto a cada dia. É praticamente impossível saber o que o futuro vai trazer. Mas quem estiver conectado, verá.

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