Ditadura estética: crianças e adolescentes no alvo do problema.

Minha manifestação de hoje aqui no PPP vai ser um questionamento interno, que sempre me provoca. É direcionado a todos: a mim e a vocês, a jovens que por acaso estejam nos acompanhando, aos pais de adolescentes… É um questionamento real, e eu gostaria muito de ouvir a opinião de todos. A verdade é que nossas crianças e nossos jovens estão se tornando adultos cada vez mais rápidos, deixando de lado a inocência e se jogando em um mundo que, há alguns anos, não faria parte de sua realidade até minimamente seus 15, 16 anos.

Por que resolvi falar disso? Simples. Estava  voltando pra casa quando no rádio passava uma entrevista com pais e filhos sobre limites, rebeldia e o fato de que, hoje em dia crianças com 7 anos já usam Gucci e exigem iPhones. Muitos dizendo como faziam para educar seus filhos e como a tecnologia, a inclusão digital, e a rapidez com que as informações chegam a nós ajudam, mas como também influenciam e MUITO, negativamente, a formação de caráter e valores da maioria. De que formas? Muito fácil dizer. Hoje em dia, para humilhar, fazer chacota, depreciar sem motivo, e por pura autossatisfação, basta um clique. Tudo acontece muito rápido e na velocidade do mouse, todos os “amigos” terão acesso à informação e podem participar das “brincadeirinhas”.

 

Foto: reprodução

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Resumindo: o cyberbullying tem piorado muito o que já está difícil de controlar. Este episódio é algo assustador. É aplicado de forma cruel, e tem uma vertente bem forte que está muito presente na vida dos jovens. A ditadura de moda e beleza. Como criar nesse mundo, uma criança com valores e personalidade a ponto de ela saber passar por isso ilesa, respeitar o próximo e não praticar esse tipo de atrocidade? Controlando a internet? Pode ser.

Mas imagine, porém, uma criança de 11, 12 anos, chegando em casa e ligando a TV? Nada contra o programa, mas suponhamos que ela por acaso sintonize no America’s Next Top Model (reality show de modelos americanas, disponível sem censura em canais de seriados na tv fechada). Comentaram comigo uma vez um episódio de bulimia que aconteceu por lá. Aparentemente uma das garotas, que são todas magérrimas por sinal, era bulímica. Todas são normalmente belas, porém incrivelmente magras, e vira e mexe aparecem falando sobre a questão da alimentação e como se privam de tudo. E em certas edições, inclusive mostram a própria doença de forma bem explícita. Aí o cerco vai fechando e ficando cada vez mais difícil.

É muito importante lembra que as crianças (sim, 11, 12, 13 anos são crianças!) estão em fase de crescimento, não só físico como psicológico. E tudo que elas experimentarem agora vai surtir efeito depois. Elas precisam se alimentar bem, ter valores bem embasados e fortificar sua personalidade para passar por essas mudanças todas que ocorrem em um metabolismo que está a todo vapor. É essa mesma criança que chega no colégio e repara que, todo os dias, a sua amiguinha vai com um bolsa diferente, tem iPhone, iPod e iqualquer outra coisa. Ela, a amiguinha,  inclusive, já usa, além do inofensivo gloss, pó, rímel, e muitas vezes lápis nos olhos, igual às moças bonitas da TV. E ela come pouco e evita isso ou aquilo porque a revista ensinou que é bom.

Começa aí todo o problema. A questão é que ao invés de serem ambientes seguros, tranquilos, locais como a escola, o curso de idioma ou até mesmo a casa, passam a ser repressores. Ditam e impõem certos comportamentos, que somados à tendência natural de algumas crianças de apontarem aquilo que lhes é diferente delas, começa a criar o bullying. E com o medo de fazer seus filhos passarem por isso, muitos pais cedem, fazendo as vontades dos filhos e os deixando mais velhos antes da hora.Pais, por favor, não deixem suas crianças às 7 da manhã de uma segunda-feira como se estivessem em uma passarela de moda. Tem lugar, idade e momento pra tudo. E saber transmitir isso para seus filhos pode ser a melhor forma de preveni-los de sofrer com qualquer tipo de provocação. Qual o real benefício que vocês tirarão disso? A saúde mental e física de seus filhos. O saber que eles não vão deixar de comer um pedacinho de bolo com medo de engordar. A certeza que vão dançar, jogar bola, nadar, brincar, porque gostam e porque são benéficas para a idade, mas sem a necessidade do exagero e do excesso.  A certeza que terão em suas famílias, adultos felizes e normais.

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