Um grito mudo de socorro.

Enquanto todo o mundo se mobilizou com a paralisação na Índia de toda a população por causa de uma jovem que morreu após um estupro, aqui no Brasil, o pessoal está mais preocupado com o carnaval, que mal começou o ano, já está despontando por aí. E isso não teria problema nenhum fossemos um país perfeito. Acontece que aqui, aqui mesmo no país que moramos, uma jovem se matou depois de também ter revelado ser estuprada.

A jovem, que já havia realizado boletins de ocorrência falando sobre a situação em que se encontrava na empresa a qual trabalhava, não suportou as situações que disse ter passado e cometeu suicídio uma semana depois da festa de fim de ano da companhia. Segundo relatos deixados pela família da jovem, ela estava sendo dopada, além de ter que se submeter à assédio do chefe.
Verdade? Independente de minha opinião a respeito, impossível afirmar. A empresa diz que mantém seus padrões de ética no mais alto ponto da escala e desmente qualquer relação da morte com seus funcionários. Mentira? Longe disso. A jovem estagiária é só um exemplo do que se encontra no mercado de trabalho brasileiro. Além de os estagiários terem por obrigação serem maltratados, mal pagos e mal direcionados, ainda existe a parte do assédio, do abuso de poder e do encurralamento de funcionários menos favorecidos, em qualquer nível da hierarquia de trabalho.
Foto: reprodução

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Em outros lugares do mundo, quando o estagiário entra na empresa, é preparado para praticamente se aposentar lá. Existem inclusive programas de estágio para pessoas que já são graduadas, já possuem experiências profissionais e agora querem de fato estabelecer carreira. O estágio é visto como literalmente um estágio para a construção consolidada de uma carreira. Aqui, na terra dos espertinhos, os estagiários são os que recebem menos, trabalham mais, e são obrigados a sucumbir a qualquer tipo de ordem, desejo ou filosofia de seus chefes, porque caso contrário, serão “queimados” bem no começo da carreira, impedidos de terem qualquer tipo de sucesso depois.
Em outros lugares, quanto mais alto o cargo, mais respeito o cidadão deve ter com seus funcionários, porque mais ele está submetido à avaliações, julgamento da lei e controle da própria empresa. Aqui, quanto mais alto o cargo, mais mordomias a pessoa tem, menos precisa trabalhar, e mais se acha no direito de fazer com os demais o que bem quer. O que bem quer mesmo. Porque nem sempre os donos das empresas estão presentes para ver o que seus altos cargos de confiança estão exercendo, e na hora de ouvir os retornos, nunca perguntam para os estagiários e para a tal classe trabalhadora.
O trabalhador nunca tem razão. Esta estagiária, partindo de minha opinião que realmente passou por tudo que foi relatado, jamais seria ouvida, e provavelmente não teria espaço em nenhuma nova empresa, ainda mais dentro da área de direito, porque ela viria atrelada à “confusão”. E que empresa quer isso?! A empresa não quer saber de segurança, dignidade, e não quer nem levar em consideração que depende de seus funcionários para que os influentes donos capazes de apagarem qualquer caso fiquem ricos. A empresa brasileira só quer saber do lucro e do bem bom. E não pense que o caso desta garota, que até quando morre não passa de uma estagiária para todo mundo, com uma vida que tinha pela frente, vai mudar alguma coisa. Enquanto a empresa brasileira está limpando a sujeira para debaixo do tapete, o trabalhador brasileiro está pensando mesmo é no carnaval.
* em homenagem à memória de Viviane Guimarães, que apesar da barbárie em que foi envolvida, do completo absurdo ao qual foi submetida, será provavelmente esquecida em alguns dias pela maioria do país. Mas não por nós.
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