Porquê você deve assistir As Aventuras de Pi hoje!

Quem procura um sinal divino, um pouco de conforto, uma mensagem realmente modificadora ou simplesmente um filme inesquecível, não pode perder As Aventuras de Pi. Como alguém que não tinha a menor expectativa em relação ao filme, e que acreditava que a história se tratava de algo totalmente diferente, posso dizer que a trama é inacreditavelmente surpreendente e tocante.

Aos sensíveis de plantão, atenção. O número infindável de metáforas acompanhado de uma sequência de imagens impressionantemente lindas constrói uma obra cinematográfica de respeito.  Cada detalhe, do letreiro inicial aos créditos, embalam os espectadores em uma obra que, vista nas salas 3D,  fica ainda mais real.

Uma trilha sonora tão primorosa como toda a equipe de efeitos visuais, envolve a história de Pi, um homem que hoje conta sua história de vida a um escritor, se focando principalmente em um episódio de naufrágio que sofreu.  E isso é tudo que você precisa saber. Sim, há pitadas de comédia, romance, família… Mas apesar da intensidade do filme, que certamente precisa ser assistido mais de uma vez para realmente construir todas as suas mensagens, a história explica-se sozinha e qualquer outra informação faria de mim uma dedo-duro que estragou o objetivo do filme.

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Em minha opinião, o foco desta obra é atingir a cada espectador de maneira diferente. É totalmente pessoal a conclusão que se tira depois de assistir à mais recente obra de Ang Lee, consagrado diretor de cinema. A mim, acredito que tenha atingido da maneira mais completa possível e a única coisa que recomendo antes de vê-lo é abrir a mente e o coração para tirar o máximo de proveito do conteúdo.

É impressionantemente bem trabalhada cada área do filme. A escolha de um elenco com vários personagens de poucas falas, como é o caso de Gerard Depardieu, se justifica perfeitamente no final, além de claro, o enorme destaque para Suraj Sharma, que mesmo nas partes onde contracena sozinho, traz extrema profundidade ao contexto. E se formos abordar os cenários, as imagens, fotografia e estética, fica ainda mais difícil encontrar alguma coisa que realmente não pertença, como um encaixe de quebra-cabeça, à obra final.

O filme desaba sobre nossas cabeças, quando, como numa parábola que ouvíamos de nossos avós, Pi conclui sua história com uma mensagem mais que necessária para o caos, a dúvida e a forma de viver. As Aventuras de Pi, posso dizer,  foi necessário para começar meu ano realmente diferente, com vontade e fé de que tudo, mesmo o inevitável, pode ser realmente mais leve e mais bonito.

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8 pensamentos sobre “Porquê você deve assistir As Aventuras de Pi hoje!

    • Edu, não foi nada do que eu pensava. Achei que ia ser uma espécie de Avatar mais humanizado, algo sem histórias mas com muitos efeitos, e me surpreendi. Assista mesmo! Depois conta pra gente o que achou! Bejinho

  1. Meus amigos…eu achei o filme forte…me emocionei por vários momentos…entretanto, até agora, embora tenha me rendido a refletir sobre esse filme por horas, não consigo entendê-lo, principalmente, a parte final. Help ?!?!??!

    • Leandro, primeiro, muito obrigada por vir aqui trocar essa idéia conosco. Segundo: se alguém que NÃO viu o filme está lendo esse comentário, pare aqui hehehe

      O filme é muito complexo. Mostra ele lidando com três religiões diferentes, com uma personalidade muito boa, pura, que não vê ou pratica o mal. Quando acontece o naufrágio, na realidade, é como ele contou: ele ficou com o cozinheiro, a mãe e aquele rapazinho no bote. Assistindo de novo, você percebe que eles simplesmente somem quando ele cai no mar, o que não seria muito lógico.

      O cozinheiro tem um instinto de sobrevivência que ele precisa, e como sabe que o rapazinho já está ferido, o usa como alimento (isca, a princípio e depois come mesmo a carne). E enquanto isso a mãe dele vê tudo, até que resolve reagir. Quando ela o faz, o cozinheiro a ataca, matando-a. E nessa hora, o instinto do garoto fala mais alto, e ele mata a cozinheira.

      Na história, o cozinheiro é a hiena. O rapazinho é a zebra e a macaca é a mãe. Ele conta essa versão como uma forma de aceitar, ou tornar mais tolerável o que ele passou. Pode ser uma forma de se iludir, de conseguir conviver com tudo.. Isso vai de cada um. No meu ver, ele fez isso para poder se livrar do tigre. O tigre nada mais era que o lado feroz dele. O lado instintivo, primitivo, feroz.. Que matou o cozinheiro em defesa, e que ao mesmo tempo o manteve vivo.

      Quando ele chega na ilha perdida, também é lúdico. É uma forma dele dizer que achou segurança física, mas que no cair da noite, ele se perderia. Sozinho. Seria esquecido. Precisava continuar.

      E quando é achado por outras pessoas, sabe que está em segurança e que precisa deixar o tigre ir para voltar a viver normalmente.

      E o mais lindo é que como ele disse, faz você acreditar em Deus. Porque entre a história feia e triste, e a que ele criou, você fica com a que ele criou.. Ainda que não tenha respostas, ainda que não mude os fatos… É simplesmente mais bonita, melhor, mais esperançosa. Dá mais motivos para seguir em frente. E finalmente ele arremata: com Deus é a mesma coisa. Não sabemos de onde viemos e pra onde vamos. Não muda o fato de que vamos morrer. Não muda as tristezas de nossas vidas… Mas a fé nos faz seguir em frente, tentar de novo, acreditar que podemos deixar nosso lado ruim de lado e um dia rever quem se foi.. E entender tudo isso..

      Sem dúvida é um filme complexo e precisa ser visto várias vezes.. Eu vou assistir novamente.. Mas espero que tenha ajudado e que você volte para deixar mais opiniões 🙂

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