Uma visão sobre os verdadeiros animais.

“Estava chovendo muito. Eu estava ali ao lado dele coberto por minha capa de chuva. E ele seguia com o guarda-chuva. Passamos por um homem encolhido até o último músculo, tremendo e todo molhado. Ele não parou para ajudá-lo.

Chegou em casa e cuidou de mim. Fez a minha comida, me esquentou e dormi com ele fazendo carinho em meu cabelo. No dia seguinte, ele foi me levar ao salão de beleza.

Eu nem sou adepto de tanta vaidade, mas fui. E no caminho ele fechou o vidro para a criança que estava pedindo ajuda. Eu até estranhei, mas ele disse que isso é problema do governo e não dele.
No salão lotado, vi que muitos iam também para o spa e para o psicólogo que lá fica de plantão. E enquanto arrumavam meu cabelo, vi um senhor na rua sendo empurrado, para que entrassem no cabeleireiro em que eu estava. Também vi um monte de gente jogando lixo no chão, e pela tv ligada, mais e mais rios inundaram por pura falta de cuidado humano.

Quando a gente nasce, não pensa que vai ser assim. A gente pensa que vem para ser ajudado, mas na verdade nós viemos é para ajudar. A gente serve de escudo pra que eles não vejam o que acontece diante dos próprios olhos. E eles preferem nos cuidar acima do que até mesmo nós precisamos do que querer fazer algo pelo semelhante.

Sabe, ele se esconde por detrás da minha existência. Acha que por eu estar aqui, sua parte com o mundo está feita. Ele não diz, mas eu percebo. É claro que entre ele e as pessoas malucas que andam por aí, eu prefiro ele, e é lógico que é mais saudável pra toda a humanidade que sejam assim, mas… Às vezes eu me pergunto porque ele acha que eu sou o fraco e indefeso, quando é ele quem não briga com o sistema, ou quando é ele quem não tem forças para fazer mais pelo outro, ou quando é ele que tem uma idéia genial pra mim, mas é incapaz de dividir com os demais.

Às vezes ele pára, e fica me olhando. Acho que ele se pergunta o que eu quero dizer. E se ele pudesse me entender, eu diria que penso que ele deve agir mais. Que é extremamente bom que ele me ame, mas que ele precisa amar também à sua família, aos seus amigos e aos desconhecidos, porque eles são da mesma espécie! É isso que aprendemos antes de nascer. E pelo visto é isso que tentamos ensinar.

Sim ao amor por nós. E sim ao amor por todo o resto. Ao planeta, às pessoas, à si mesmo. Somos parte da família? Acho que sim! Mas pra nós, qualquer igual também é. E ele precisa aprender isso logo…

Um abraço do seu cachorrinho de estimação.”

Foto: reprodução

Foto: reprodução

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Um pensamento sobre “Uma visão sobre os verdadeiros animais.

  1. Ótimo texto! Existe sim uma inversão de valores. Gosto de bichos, porém não crio por opção. Os fanáticos, costumam tachar de insensível, quem como eu não quer um bicho dormindo na própria cama. Prefiro pensar que é no mínimo anti-higiénico.

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